Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

The Morning Benders


Quarteto saido de Berkeley (California), fazem das suas músicas leves como se imagina a vida de um californiano. Já com quatro EPs, sendo o último deles só de covers e também do ano passado, finalmente debutaram, satisfazendo as expectiativas criadas pelos dois excelentes EPs.

Indie pop de primeira linha, lançaram o primeiro album ano passado e abriram shows de bandas como Death Cab For Cutie e The Kooks. O excelente Talking Through Tin Cans já foi aclamado como um dos melhores lançamentos do ano de 2008, é álbum pra se ouvir do começo ao fim, sem parar.

Com um toque folk, dado pelo violão do vocalista Chris Chu, e backing vocals espertos é possível ver a influencia de Beatles e Beach Boys. Alternam músicas rápidas (Damnit Anna) com baladas lentas (Heavy Hearts), tornando o album adequado pra qualquer momento do dia e pra qualquer humor.


ouça: Damnit Anna, I Was Wrong e Crosseyed



DL

Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

Little Joy



Eu não gosto de Los Hermanos, nem um pouco.

Posso estar desagradando uma legião de seguidores da trupe de Marcelo Camelo, mas não serei hipócrita a ponto de negar minhas preferências musicais. Não gosto.

Acontece que, nem por isso, deixo de prestar atenção nos trabalhos paralelos dos membros da banda em hiato. Camelo gravou a lindíssima música "Janta" com a graciosa Mallu Magalhães: me agradou à primeira audição e agrada até hoje.

Mas esse post não vem falar sobre Marcelo Camelo, Mallu Magalhães ou Los Hermanos. Talvez um pouco sobre o último.

Diz respeito à Rodrigo Amarente, Fab Moretti (baterista do The Strokes) e Binki Shapiro, responsáveis pela Little Joy. Conheci a banda através de uma amiga (Flora, que, supostamente, também posta nesse blog... será? haha!). Ela me mandou a música sem nome e me fez JURAR que não apelaria para o google. A intenção era que eu descobrisse o artista sozinha. Desnecessário dizer que não acertei. Mas, em minha defesa, meus dois palpites estavam certos (mais ou menos): eu arrisquei primeiro Los Hermanos e, depois, The Strokes. O mais impressionante é que parece bastante uma mistura das duas bandas.

Há horas em que você tem certeza de se tratar da carreira internacional do Los Hermanos, ao passo que, em outro momento, espera ouvir os solos característicos dos meninos dos Strokes. Parece pretensioso, mas o resultado foi tão bom que eles já têm a data de lançamento do debut homônimo: 4 de novembro.

As músicas variam, desde as mais calminhas, com piano, voz e violão, como With Strangers, até as mais animadas, como Brand New Start. O interessante é que todas me lembram muito aquela emoção tépida, não exacerbada. É o que eu chamaria de música "epicurista", plagiando o mestre Fernando Pessoa, através de seu heterônimo Ricardo Reis: não há exageros de paixões fatais ou depressões irreversíveis, as emoções são moderadas. Perdão se isso tudo soa pedante, mas é só uma impressão.

Como bônus, a faixa referida no começo do post, "Janta" com Marcelo Camelo e Mallu Magalhães.

1 - Brand New Start
2 - Keep Me In Mind
3 - No Ones Better Sakes
4 - With Strangers
5 - Evaporar

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Marcelo Camelo e Mallu Magalhães - Janta

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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Someone Still Loves You Boris Yeltsin


Como sempre, venho falar de oldies. Pois é.
Oldies, no caso, significa o absurdamente longínquo 2005.

Uma banda com um nome desses não precisa de nenhum outro motivo para chamar atenção.
Imagine garotos cansados da rotina que resolvem montar uma banda, como uma brincadeira de fim de semana. Honestamente sem pretensão. O nome, uma piada para fazer algumas amigas rirem, faz referência à renúncia de Boris Yeltsin. Solidários com o solitário ex-presidente russo, decidiram mostrar que alguém ainda o ama.

O que importa, no entanto, não é o nome da banda, do álbum, os integrantes, a gravadora, nada. Eles fazem música leve, solta, como se voasse por todos os cantos e atravessasse paredes. Se cada banda tivesse um dia da semana como representação eles seriam a quinta-feira: sem a excitação incontrolável da sexta, mas com aquela alegria mansa de uma tarde que precede a ultima jornada antes do descanso.

Eles fazem aquela música que você gosta, ouve de novo, mas nunca se lembra de baixar. Não esqueça dessa vez. Vale cada segundo.

O album que eu vou falar é o primeiro deles, chamado Broom.
Começa com a balada colante mais inteligente e nerd que você vai ouvir na sua vida.
Termina com a uma música que, pra mim, fala sobre a Gwyneth Paltrow.

prontofalei.

Pangea: A tal música nerd. Repare no refrão (sensacional, diga-se de passagem): "Pangea/We used to be together/Why'd we have to drift apart?"
I Am Warm & Powerful: Aqui você tem Boris em sua essência: pianinhos de fundo, guitarras leves na frente e uma letra cantada de maneira quase ininteligível. Mas falaremos sobre essa questão mais à frente.
What'll We Do: Sem dúvida uma das melhores do álbum. Basicamente piano e voz. Estão todos os instrumentos ali, mas é como se dessem espaço pro piano existir sozinho. Expressa bastante a angústia que todos sentem uma vez na vida, quase sempre sem motivo aparente. Sim, existe uma pausa de uns 30 segundos no fim da música.
Travel Song: Vários "ooooohhs" no fundo da música. Boa, nada mais.
Oregon Girl:
Divertida, alegre, contagiante. Parece que todos esperam a música inteira pra gritar um "hey" discreto. Eu espero!
House Fire: momento fim-de-relacionamento. O que vale aqui é a guitarra que aparece antes do refrão. Até então a música se arrasta um pouco (não de um jeito ruim); a guitarra puxa todo mundo pra frente e sobressai. Por hora.
Yr Broom: De letra esperta e com palminhas: precisa falar?
Anna Lee: Começa rápida, mas fica meio devagar depois. Muito boa a sobreposição entre um voz principal e um back agudo. Com "ooooohhs".
Anne Elephant: A melhor música: rápida, violão discreto, piano instigante e... bem: aqui nós paramos pra falar da letra. Anne Elephant é abafada, misteriosa, muito por causa do jeito como é cantada. Não existe uma versão oficial para a letra. Tente decifrar. Já aviso: é difícil!
Gwyneth: OK. Ouça a música e veja se ele não fala da mulher do Chris Martin (Coldplay).


Someone Still Loves You Boris Yeltsin - Broom

Ouça: Pangea, What'll We Do e Anne Elephant

DL

Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Coldplay

É impossível falar de Britpop nos anos 00 sem mencionar o Coldplay. Desde o lançamento de “Parachutes” no ano 2000, a banda lançou uma sucessão de músicas incríveis, que arrebanharam milhões de fãs no mundo todo. “Yellow”, “Trouble”, “In My Place”, “Fix You” e tantas outras dispensam comentários; o assunto agora é “Viva La Vida or Death And All His Friends”, quarto CD, lançado oficialmente hoje.

Três anos depois do “X & Y” o “Viva La Vida” propõe uma revolução que se estende da capa do álbum às músicas. “...todo o projeto de arte do álbum é baseado no conceito de revolucionários e guerrilhas. Há uma oposição velada contra o autoritarismo em meio às letras, além da desforra por estar cercado pelo governo, mas [sem esquecer] que somos todos seres humanos com emoções e que vamos todos morrer com toda a estupidez que temos de suportar todos os dias, daí o título do disco.” disse o baixista Guy Berryman. Segundo Chris Martin, a inspiração para o nome vem de uma pintura da mexicana Frida Kahlo: revolucionária da arte.

É outra revolução, a Francesa, com seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade que ilustra a capa.

Musicalmente, o Coldplay mostra imensa variedade instrumental, indo muito além do piano de Martin. Acompanhando o baixo, a bateria e a guitarra, algumas faixas trazem efeitos de sintetizador, órgão, violino e percussão. A banda afirma ter se baseado em "visões, sons e sabores da América Latina e Espanha" para compor as canções do disco.

As críticas são otimistas, e espera-se ver o CD entre os primeiros das paradas britânicas.

Depois de tê-lo ouvido algumas vezes, e gostado do que ouvi, ainda acho que soa como o ótimo é “velho” Coldplay. As revoluções se destacam em aspectos de produção, mas a essência da banda foi conservada. A voz de Chris Martin tem a mesma suavidade, as músicas a mesma atmosfera melancólica e os instrumentos, como sempre, são tocados de forma impecável.

Não posso deixar de comentar o título da 4ª faixa: “42”. Quando perguntado sobre a relação do nome com a obra de Douglas Adams “O Guia do Mochileiro das Galáxias” Martin desconversa e não diz nem que sim nem que não; alega ser o 42 seu número favorito. Talvez o Chris esteja tentando dar uma resposta tão evasiva quanto o próprio 42, já que “Don’t Panic” (do Parachutes) também parece ser inspirada no livro.

“A Rush of Blood to the Head” vendeu 12 milhões de cópias, “X & Y” outras 10 milhões, vamos esperar pra ver a repercussão mundial de “Viva La Vida or Death And All His Friends”










“Viva La Vida or Death And All His Friends"
Lançado em 12 de junho de 2008.

ouça: Violet Hill e Viva La Vida

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Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Tokyo Police Club


Para nós do Last Knit, O Tokyo Police Club já é um clássico.
No comecinho de 2007, a Dani me apresentou à banda com a explosiva “Cheer it on”. Foi imediato. A música passou a repetir incessantemente no meu player, até que eu baixasse todo o primeiro EP: A Lesson in Crime. O efeito das outras músicas não foi muito diferente: empolgantes, rápidas e totalmente viciantes. Em sequência, elas parecem uma grande tomada de fôlego; só é possível respirar de novo em “La Ferrasie”.

Os meses foram se passando, enquanto nós esperávamos ansiosamente pelo primeiro CD. O que chegou do Canadá, no entanto, foi o segundo EP: “Smith”. Sem desmerecer, era mais fraco que o A Lesson in Crime, apesar de trazer “Box” e a primeira aparição de “Your English is Good”. De qualquer jeito, foi uma injeção de ânimo, e o TPC continuava empolgando como sempre.

Em novembro, estavam confirmadissímas as atrações do festival Planeta Terra, em São Paulo, e entre elas lá estava o Tokyo Police Club. Não fomos, e sofremos por isso. Era uma injustiça o destino trazê-los para o Brasil logo depois do Tim Festival. Logo depois de termos gastado todo o “dinheiro em caixa” com o Arctic Monkeys. Nos contentamos com os vídeos do show. Fazer o quê? (“Olha, Dani! Tinha pouquinha gente!”).

O primeiro single que adiantou o debut, foi o “Your English is Good”; música já conhecida, que vinha acompanhada da singela “Swedes in Stockholm”.
Um clipe bacana; cantávamos “Oh! Give us your vote!” enquanto nossas expectativas cresciam geometricamente a cada dia.

O hiato de quase um ano entre o “A Lesson in Crime” e o “Elephant Shell” (primeiro álbum) tornou a espera longa demais. Quem conheceu o Tokyo Police Club logo depois do lançamento do primeiro EP, já estava eufórico. O resultado foi que o “Elephant Shell” recebeu críticas duríssimas, principalmente quando suas músicas eram comparadas aos lançamentos “antigos”.

Sinceramente? De “Centennial” à “The Baskervilles”, não tive nenhuma decepção no primeiro CD. Disseram que ele era rápido demais, simples demais, jovem demais. Bom, para mim tudo isso soa como elogio, já que foram esses os motivos que me levaram a gostar da banda. É claro que a minha indicação instantânea quando me perguntarem sobre TPC será “Cheer it on”; mas se você ainda tiver disposição, direi “Tessellate”, “In a Cave” e “Juno”.

Dave Monks e seu baixo afiado, Josh Hook e sua guitarra certeira, os teclados imediatos de Graham Wright e a bateria marcante de Greg Alsop merecem créditos.




"A Lesson in Crime"

ouça: Cheer it On e Nature of the Experiment





"Smith"

ouça: Box







"Elephant Shell"

ouça: Tessellate e Your English is Good


Terça-feira, 27 de Maio de 2008

Beirut

Zach Condon Live @ SXSW
O coletivo Elephant 6, sediado na cidade de Athens, Geórgia foi fundado pelos amigos Jeff Mangum (Neutral Milk Hotel) e Robert Schneider (The Apples in Stereo) e cresceu bastante, a ponto de formar uma nova leva de bandas que compõem e gravam do mesmo jeito que as duas bandas-mãe faziam: de maneira caseira e com todo mundo ajudando, compondo um pedacinho, escrevendo uma letra e tocando um instrumento diferente.
Na verdade, sempre tive um pouco de preconceito com bandas E6 que não fossem Neutral ou Apples. Além disso, sempre que ouvia algo novo eu já esperava umas distorções surradas e gravações toscas.

Por isso, quando conheci Beirut minha primeira sensação foi de que eu já tinha perdido tempo demais. Descobri que guitarras são necessárias, mas não essenciais. Não que eu esperasse solos mirabolantes ou viradas destruidoras de bateria, não. Mas pelo menos um violão ou algo que me remetesse aos saudosos tempos de Neutral Milk Hotel.

E foi nesse clima que eu realmente comecei a gostar de Beirut.

A banda é, na verdade, Zach Condon, um cara de Santa-Fe que tem no trompete sua grande arma. Seus solos não devem nada para guitarras, baixos e outras mirabolâncias que costumamos adorar. Ao vivo então, ele se supera, canta em línguas que mal domina e encanta com seu charme ébrio.

Sua música é classificada como Folk Cigano, Folk Balcânico, blábláblá. Realmente, é fácil se sentir num acampamento cigano ao ouvir a voz profunda de Zach acompanhada de acordeon, violino, cello, metais... ainda assim, diria que não há como encaixar essa banda num estilo, não cabe em caixinhas rotuladas.

Como não consigo deixar de comparar, diria que Zach e Jeff são opostos com relação ao que prezam em suas composições. Enquanto Jeff se revira e canta letras absurdas e lindas com um simples violão distorcido ao fundo, Zach parece reservar todo seu talento às melodias, que dominam grande parte das músicas, como se a letra fosse um bônus.

Mas não se engane. O menino sabe o que faz, e o faz muito bem.

Neste show do festival SouthXSouthWest estão as melhores versões de Elephant Gun e de Postcards From Italy. Repare na versão em "português" de Postcards!

Mágica do começo ao fim.

Beirut – Live @ SXSW (March 16, 2007)
Ouça: Elephant Gun, A Sunday Smile, Postcards From Italy e Scenic World

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Setlist:

01 The Penalty
02 Carousels
03 After the Curtain
04 Moribond-My family's role in the world revolution
05 Elephant gun
06 A Sunday Smile
07 Closing song
08 Mount Wroclai
09 The Gulag Orkestar
10 Postcards From Italy
11 Brazil
12 Scenic world
13 The Canals of our City

Domingo, 4 de Maio de 2008

Bombay Bicycle Club

O Gabriel descobriu o Bombay Bicycle Club e nos indicou.
E, como sempre, ele acertou.

Dani: “No dia que eu conheci Bombay Bicycle Club me senti velha.
Idosa, eu diria.
Eu ouvi as músicas, gostei muito e fui descobrir mais sobre os caras da banda. Fiquei sabendo que eram meninotes, que ainda nem tinham saído das fraldas. E eu ali, curtindo o hype, achando os caras incríveis.”

A idade dos meninos não diz nada aqui. Afinal, aos 17 anos, eles lançaram dois Eps – “The Boy I used To Be” e “How We Are”. Escreveram, na música “How Are You” do segundo EP, mais sobre romances e paixonites adolescentes do que nós sabemos. Quando Jack Steadman canta “We can't get past the ‘How are you?’” parece uma das coisas mais sinceras que uma música pode dizer. E é exatamente como tantas vezes nos sentimos.

O primeiro EP foi produzido por Jim Abbiss (que já havia trabalhado com nomes conhecidos como Arctic Monkeys, Editors e Kasabian) e lançado sob o selo próprio do BBC, o Mmm... Records.

Bombay lembra muito Tokyo Police Club, seja pelo vocal seguro, que canta sozinho em algumas horas, seja pela energia de cada levada das guitarras (ou se preferir pelo simpático “sufixo” club).

As músicas surpreendem até os mais avisados. A jovialidade ficou na energia delas, na disposição com que eles tocam cada uma. Por isso, não julgue pela idade: eles já sabem da vida bem mais que nós.
Nas palavras da NME: “Don’t be deceived by their age – there’s a lifetime of experience in these glorious tunes.”



The Boy I Used To Be

ouça: The Hill e Open House





How We Are

ouça: How Are You e Pedestal

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*Por: Dani e Flora